BLOG DO LANTERNA VERDE

"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto". (Rui Barbosa)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

MENSAGEM DE FIM DE ANO

Uma colega me ofereceu "de presente" este lindo texto do nosso grande Drummond e eu o quero oferecer a todos que encaram a vida como uma grande dádiva de Deus e como um constante aprendizado.

AMIGOS

"O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história. O grande lance é viver cada momento como se a receita de felicidade fosse o AQUI e o AGORA.

Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais..., mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia? Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho?
Quero viver bem! Este ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. As vezes a gente espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal.

O ano que vai entrar vai ser diferente. Muda o ano, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com o seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que desejo para todos é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim... Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3. Ou mude-o de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou? Beleza, não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro): CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE.

Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam bem diferentes. Desejo para todo mundo esse olhar especial.

O ano que vai entrar pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro. O ano que vai entrar pode ser o bicho, o máximo,
maravilhoso, lindo, espetacular... ou... Pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja!!! Feliz olhar novo!!! Que o ano que se inicia seja do tamanho que você fizer.

Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!”.

Autor: Carlos Drummond de Andrade.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

VÃO-SE OS TIRANOS, FICAM OS ÓRFÃOS

Os jornais noticiam hoje a morte do Ditador Norte-Coreano Kim Jong-il, que estava no poder desde 1994 quando sucedeu ao seu pai. Morreu em um trem, aos 69 anos, enquanto visitava uma área próxima da capital, Pyongyang. Era um ditador nos moldes comunistas, daqueles que se mantém no poder por anos graças à força das armas e das ideias. Promovem o culto da própria imagem e fazem o povo acreditar que são verdadeiros “eleitos”. Fazia o povo lhe render homenagens espontâneas ou forçadas. Eram comuns os desfiles militares cheios de pompa.
O povo norte-coreano vive há anos na mais absoluta miséria, desde que o bloco comunista ruiu e com ele as ideias falidas de um mundo “igualitário”. Entretanto, foi chocante ver as pessoas nas ruas da capital e de outras cidades chorando copiosamente a morte de seu “líder”. Um choro sincero e saudoso, como se tivessem perdido aquele que era o sustentáculo de uma nação, porque era assim que ele se apresentava. Para o povo, era um guerreiro que lutava contra o imperialismo capitalista.Para mim, uma enorme contradição num momento em que outros povos derrubam e comemoram a queda de tiranos no Oriente Médio, na chamada Primavera Árabe, e que vejo outras nações começando a contestar o poder absoluto de seus governantes.Na Coréia, nada vai mudar, pelo menos por enquanto, uma vez que o poder será ocupado pelo sucessor imediato de Kim Jong-il, seu filho mais novo, Kim Jong-um, que não parece ser muito diferente do pai. Melhor seria que o povo de lá aproveitasse a oportunidade para expurgar de vez essa praga que são os ditadores.Uma pena que por aqui, algumas ditaduras não caiam nem pela força das ideias, nem pela força do povo e permaneçam no poder há décadas, sem que ninguém os incomode. Refiro-me, principalmente, ao Senador Sarney, donatário do Maranhão e do Amapá, que maltrata o povo brasileiro há tanto tempo e que parece não sentir nem mesmo uma dor na unha. Aqui, sei que com exceção de alguns poucos baba-ovos, ninguém vai chorar a sua morte, ao contrário, vai haver quem queime dúzias e dúzias de fogos.
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sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O MARANHÃO DAS RAIMUNDAS

Na mesma semana em que o país inteiro se emocionou com a história da menina maranhense Raimunda, de Pinheiro-MA. no Programa do Gugu, da TV Record, no quadro Sonhar mais um sonho, o Estado do Maranhão foi surpreendido por mais um escândalo político, envolvendo o deputado da base governista de Roseana Sarney, Stênio Rezende, naquele que já ficou conhecido como o Escândalo do Babaçu. o episódio passaria despercebido como tantos outros, não fosse a coincidência envolvendo este vegetal tão comum no nosso Estado e que é fonte de sobrevivência para muitas famílias.
Raimunda é uma menina de 11 anos, muito pobre, que mora na zona rural de Pinheiro, com a mãe e mais 7 irmãos, numa casinha de taipa coberta de palha em condições miseráveis, dividindo a casa com porcos e galinhas e que sobrevive, como muitas outras famíias por aqui, graças à coleta e quebra do coco babaçu, vegetal típico da paisagem maranhese. Ela escreveu uma carta para o quadro do programa contando a sua situação, pedindo ao Gugu que a ajudasse a dar uma casa para a sua mãe, que já não tinha mais condições de trabalhar. Ela salientou que já havia aparecido na televisão em um outro programa da emissora, o Câmera Record, quando também chamou a atenção do Brasil, por sobreviver com a família da quebra do coco babaçu.
Este apelo fez com que a produção do programa se comovesse e resolvesse atender ao desejo da menina, que foi surpreendida em sua casa pelo próprio próprio Gugu. Desde o início, a menina chama a atenção de todos por ser muito inteligente, por ser muito pobre e por gostar de cantar. Este é um daqueles quadros da televisão cujo objetivo é emocionar o telespectador, ao mesmo tempo em que pratica o merchandising solidário, em que as empresas fazem doações em troca da propaganda direta.
O programa entatiza vários aspectos do município de Pinheiro, como a localização, as belezas naturais, mas principalmente o estado de miséria em que vive boa parte da população. Só esqueceram de dizer que o município é a cidade natal do Senador vitalício José Sarney, que enquanto Deputado, Governador, Senador, Presidente, nunca lembrou daquele povo que continua vivendo como a maioria do povo maranhense, na miséria.
Gugu o tempo inteiro se mostra surpreso. Com o tipo de moradia (pau a pique), com a falta de saneamento básico, com a falta de higiene do local, com a falta de alimentos, com a falta de assistência, com o tipo de vida que os maranhenses vivem. Nada novo para nós, mas entristecedora a forma como a situação foi desnudada em pleno horário nobre.
Raimunda ganhou uma casa no centro de Pinheiro com conforto jamais imaginado por nenhum membro de sua família miserável. Realizou um sonho. Daqui pra frente é com ela. Que seja muito feliz e consiga um futuro diferente das outras Raimundas maranheses.
Ao mesmo tempo, a imprensa castrada do Maranhão tratou de abafar o escândalo das propinas na Assembléia Legislativa do Maranhão, por envolver "gente grossa" tanto dentro do legislativo quanto no executivo e na família donatária do Maranhão. Uma vergonha, porém fato comum num Estado em que prevalece a vontade de políticos, empreiteiros, empresários com interesses dentro do governo, lobistas. O pior é que nas próximas eleições veremos as mesmas caras fazendo promessas, posando de bonzinhos e honestos. O povo certamente continuará confundindo urna com penico.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Vargem Grande, o retrato do Maranhão

Semana passada o país ficou estarrecido com a exibição de uma reportagem no Jornal Nacional sobre a cidade de Vargem Grande, no Maranhão. Confesso que esperei com grande expectativa, apesar de já ter uma idéia geral do que seria apresentado.
Durante a exibição, tive sentimentos mistos de raiva, de tristeza, de indignação e de revolta. Cheguei a chorar de raiva. Raiva do povo maranhense, raiva dos governantes, de modo geral, mas principalmente uma enorme raiva dos atuais governantes, que na verdade estão no poder há décadas e que são os grandes responsáveis por esse estado de pobreza extrema em que vive o nosso povo.
Quem vê de fora, talvez conteste o porquê de essas pessoas se manterem há tempo no poder se quem os elege é o povo. Somos considerados lá fora burros, acomodados. Somos discriminados, mal vistos. As pessoas nos olham com desprezo, como se fôssemos a escória da escória, já que o nordestino em geral já é visto com reservas. É difícil explicar as razões que mantém há tanto tempo uma família tão famigerada no poder às custas do suor de um povo tão sofrido.
É complexo e difícil explicar e entender a nossa leniência, a nossa acomodação o nosso estado de pobreza, de falta de liberdade, de desinformação, mas é facil encontrar um culpado. Somos assim e vivemos assim por culpa de um único homem que é o grande responsável pelo atual estado de coisas em que se encontra não só o estado, mas o país: Sarney. Sim, é este homem o grande culpado. Ele, que tendo sido Presidente deveria ter lutado para transformar o seu Estado de origem numa grande potência, foi o responsável pelo agravamento da pobreza. Ele, que é lembrado por onde quer se ande por aqui, que está nas rodovias, nas ruas, nos logradouros, nos prédios públicos, nas praças. Ele que comanda um grande império de comunicações, que manimula as informações, que distorce os fatos, que diviniza os aliados e sataniza os adversários. Ele, que corrompe os aliados e persegue ferozmente os adversários. Ele, que tranformou a filha em herdeira política e que vem "governando" o Estado como se fosse uma senzala.

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Este homem que posa de escritor nas horas vagas e tranformou o Senado Federal na sua Casa Grande, que nomeia parentes sem concursos para os cargos estratégicos, que usa a estrutura pública para interesses pessoais, que se alia a banqueiros corruptos, que trama atos secretos, que articula ascensão e queda quando lhe convém.
Porém, nós também temos a nossa parcela de culpa, por aceitarmos passivamente esta situação, por permitirmos que os governantes façam o que querem, por acharmos que nada muda, por não acreditarmos na nossa força, por não nos indignarmos. Nós, educadores, que às vezes empunhamos a bandeira dos governantes, por conveniência e esquecemos que somos formadores de opinião, que temos o poder da palavra, que podemos influenciar as novas gerações, que temos o dever de mostrar aos jovens o poder da rebeldia.
Vargem Grande não é exceção, é regra no Maranhão, infelizmente. A grande maioria dos municípios padece dos mesmos e graves problemas de miséria, de falta de trabalho e perspectiva para os jovens, de falta de saneamento básico, de saúde e educação. Os municípios, na sua maioria estão entregues às oligarquias locais, apadrinhadas pelos Sarneys, que cobram caro os favores e a proteção e prolongam o sofrimento do povo.
Como costuma dizer César Bello, o Maranhão só terá jeito quando pendurarmos o último Sarney nas tripas do último Murad.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O PMDB maquiado

Hoje quebrei uma regra destas que a gente costuma estabelecer para nós mesmos: assisti a um desses programas políticos na televisão. Há muito tempo tenho me recusado a assisti-los pela simples razão de que acho que todos são iguais, para não dar crédito aos políticos e para não me aborrecer. Neles, o discurso é sempre o mesmo, as promessas e mentiras se repetem. Coincidentemente, estava com a televisão ligada na hora do jantar quando começou o espetáculos, digo, o programa. Era do PMDB, este partido, quase tão antigo quanto o Brasil. Digo antigo porque apesar de ter mudado a sigla ao longo do tempo, é apenas uma continuidade de outros que se mantém no poder ou ao lado dele desde que a República existe.
Fiquei estarrecido por dois motivos: primeiro por causa do apresentador, o ator Milton Gonçalves, figura que sempre me transmitiu muita credibilidade, pelo seu talento artístico e história de vida; depois pela imagem que foi apresentada do partido em si, "um partido comprometido com a democracia, com o bem-estar do povo brasileiro, com honestidade". Duas coisas completamente antagônicas.
Primeiro, uma figura como Milton Gonçalves, expondo-se dessa forma para apresentar uma imagem completamente falsa de um partido político é no mínimo degradante. Depois, o partido apresentado representa o que há de pior na política brasileira hoje e sempre. O PMDB é hoje a imagem da corrupção, das falcatruas, do engodo, da roubalheira. Basta ver as figuras que foram apresentadas, Sarney, Renan Calheiros, Roseana Sarney, só para citar alguns. Aliás, Sarney se sobressai por ser o grande mandatário do partido e do Senado brasileiro.
Milton perguntou a ele se depois de tanto tempo na política, havia ficado alguma mágoa, ao que ele respondeu que um homem público não pode ter mágoas de ninguém. Justo ele, que não perdoa aos seus adversários e os persegue como o rolo compressor da máquina do poder que ele possui.
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Roseana Sarney posou de defensora e representante das mulheres num país machista e pouco representativo do universo feminino. Também se declarou uma guerreira em defesa dos interesses do povo maranhense. Parece piada, ela que te m tratado o povo maranhense como cachorro, que tem maltratado o funcionalismo público estadual com arrocho salarial, com perdas de direitos adquiridos, com perseguição a quem lhe desagrada. Eu queria que alguém me apresentasse alguma política do seu governo volta da para as mulheres.
Renan, aquele mesmo, Senador dos conchavos, dos esquemas, das amantes, das Alagoas..., que já deveria ter sido condenado ao ostracismo há muito tempo, posando de defensor da democracia. Quanta hipocrisia!
Fora outros que nem vale a pena citar. Enfim, o programa político do PMDB foi uma grande mentira, uma piada mal contada que não vale a pena repetir. Alguns fizeram menção a Brizola, o caudilho gaúcho, ex-governador do Rio de Janeiro, que não era muito diferente dos demais políticos, mas que costumava defender com veemência as suas idéias. Mas o que esperar de um partido que tem se mantido sempre ao lado do poder desde que o Brasil é Brasil.
Enfim, eu não deveria mesmo ter assistido a esse programa mentiroso para não ter que ver a cara de pau dos nomes que citei, mas tenho a mania brasileira de acreditar que esse país ainda pode ser diferente. O que me deixa realmente triste é que um homem como Milton Gonçalves, com o currículo que tem, com o talento que tem, tenha feito o pior papel de sua vida em rede nacional.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

RESULTADO DO ENEM 2010 - MAIS DO MESMO

O Mec divulgou hoje o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio realizado em 2010. Nenhuma surpresa, as escolas particulares continuam obtendo melhores resultados que as públicas que ficam bem abaixo e não conseguem evoluir ano após ano. A distância entre elas está aumentando cada vez mais, apesar dos "investimentos" que o Governo diz estar fazendo.
O Maranhão continua firme na sua posição de último colocado e nenhum outro estado consegue superá-lo. Das 100 piores escolas do Brasil, 11 estão no nosso Estado (Eita!). E não adianta tentar, pois em matéria de ruindade nós somos campeões. O Governo tem se esforçado bastante para nos manter nesta posição.
Entre as 100 melhores, surpresa 2 são do Maranhão. Escolas particulares, localizadas no abastado bairro Renascença, em São Luís, onde estudam os filhos da elite ludovicense. Era de se esperar resultados melhores pelo preço que cobram, que estão entre os maiores do país.
A média nacional foi de 537 pontos. Fomos um dos três estados que ficaram abaixo da média com 512 pontos. Estamos ao lado de Tocantins e atrás do Piauí. O consolo será dizer que empatamos em último.
Vergonha! Esse é o sentimento dos educadores maranhenses, principalmente aqueles que atuam na rede pública. Mas já antecipo que a culpa não pode e não deve ser atribuída aos educadores, num Estado em que não se respeita os professores e em que o Governo se recusa a aplicar a Lei do Piso, onde os gestores ficam abandonados a própria sorte, onde os investimentos são cada vez menores, onde faltam nas escolas instrumentos básicos como giz, apagador, carteiras para os alunos sentarem.
Aqui, professores de Biologia, Física, Matemática..., são contratados quando o ano letivo já está no final porque a Secretaria de Educação não tem cotas, alegação feita pelos Gestores Regionais de Educação. Aqui, ninguém se preocupa com o cumprimento dos 200 dias letivos, muito menos com a carga horária. Não tem cotas e não tem planejamento, essa é a grande questão. Não tem gente competente também. A Secretaria de Educação é um amontoado de gente da terceira idade, acomodada por apadrinhamento em cargos para os quais não tem nenhum preparo. Quem visita aquela repartição por dever de ofício sabe que lá nada funciona, ninguém tem respostas, ninguém tem solução. O cargo de Secretário, via de regra, tem sido ocupado por pessoas sem vivência, sem formação adequada, obedecendo a critérios políticos e fazendo merda.
Então, diante de tudo isso, esperar um resultado diferente é no mínimo ilusão. Estamos onde deveríamos estar. Fazemos pouco porque o Estado faz pouco, paga pouco e não cria as condições necessárias para mudar a realidade em que vivemos. Pergunto então: e a prometida Revolução na Educação que tanto ouvimos no horário eleitoral? Não seria esse o melhor (dos quatro) Governo da vida da Governadora?
Os resultados de cada escola estão disponíveis para consulta no site do Inep.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

VITORINO FREIRE, UMA CIDADE SUI GENERIS 1

Aqui tem vereador que nunca fez um discurso, aliás, um não, dois. Onde mais isto é possível? Pois bem, hoje falarei deste assunto que me inquieta e ao mesmo tempo me indigna. É verdade sim, a Câmara de Vereadores de Vitorino Freire possui duas destas figuras decorativas que existem em muitas das cidades brasileiras, sejam elas pequenas ou grandes. Em todo lugar por esse Brasil afora existem estes políticos que não fedem nem cheiram e que se servem do cargo apenas para satisfazer seus anseios pessoais, eleitos pelo voto do povo em circunstâncias bem especiais, normalmente explorando-lhes a ignorância e a necessidade.
A Câmara de Vereadores, que deveria ser um espaço de debates acalorados dos problemas e necessidades locais, de discussão de projetos e leis que beneficiem a população do município, acaba se tornando um espaço onde as nulidades predominam. Aliás, nulidade é o que não falta por aqui, ocupando cargos importantes no serviço público que deveriam ser ocupados por pessoas com reconhecida capacidade.
O primeiro e mais peculiar caso é o do vereador Abraão, aliás Abraão Filho. Este rapaz, tranquilo, de aspecto sempre sereno, conseguiu a proeza de se eleger sem nunca ter feito um único discurso, atrelado na figura do pai, que já fora vereador. Abraão pai, diferentemente, adora um microfone. Quando o pega, exalta-se, fala alto, com aquele tom característico dos políticos que se impõem mais pelo discurso que pelas ações. Em todas as ocasiões em que o filho precisou discursar ele estava lá assumindo o papel. Tive a oportunidade de assistir a vários comícios sempre na expectativa de ver e ouvir o rapaz que sempre me decepcionava. Os prognósticos de mesa de bar diziam que o rapaz seria um dos mais votados. Eu duvidava. Elegeu-se, diplomou-se, tomou posse, assumiu a cadeira e até agora ninguém ouviu sua voz. O mandato já está chegando ao fim.
O segundo caso é o da vereadora conhecida como Loura, aliás, loura do Cirineu, seu marido que também já fora vereador e que sempre se apresenta a cada eleição como candidato a prefeito, sem nunca consumar o fato, até porque lhe faltam vários dos atributos para isso, principalmente os votos necessários, suficientes apenas para elegê-lo vereador ou para transferir votos para outro. Ela, se se algum dia discursou em palanque ninguém ouviu. Seu marido sim, em alto e estridente tom, esculhabando os adversários e fazendo promessas estapafúrdias que seriam cumpridas por ela. A loura só assentia. Elegeu-se com bastante votos, muito mais do que deveria.
Da mesma forma elegeu-se, diplomou-se, tomou posse, assumiu a cadeira e até agora ninguém ouviu sua voz, nem apresentou projeto algum que pudesse dar credibilidade ao que ela, digo, ele prometeu.
Fui várias vezes à Câmara assistir às sessões ansioso por ouvir os debates de projetos importantes para o município, mas sempre apresentados por outros vereadores, que se destacam e que assumem a direção dos trabalhos alguns com desenvoltura, outros com uma certa timidez, mas sempre exaltados, defendendo com firmeza as suas idéias. Os dois supra citados estavam lá, porém entravam mudos e saíam calados.
Tudo isso nos leva a questionar a forma como o eleitor tem escolhido os seus representantes. Infelizmente, percebe-se que o que tem determinado a escolha não é a força das ideias, mas a força do investimento financeiro que se faz numa campanha. Sim porque estes dois se elegeram não porque apresentassem bons projetos para o município, mas porque investiram grandes somas de dinheiro numa eleição que certamente lhes trouxe ganhos muito maiores. Se o muncípio foi beneficiado pela eleição destas duas figuras, é difícil dizer. Entretanto, devemos questionar seriamente essa situação, a começar pela falta de formação destas pessoas que são as responsáveis pela elaboração das leis. Eles são os legisladores locais, os responsáveis por todos os projetos que dizem respeito à melhoria das condições de vida da comunidade local. Não é possível que se permita que o destino do povo fique nas mãos de pessoas sem nenhum preparo, com pouca ou nenhuma formação. Já passou da hora de se rever esta possibilidade que a legislação eleitoral e mesmo a Constituição brasileira permitem e que tornam a vida de tantos cada vez mais ruim.