"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto". (Rui Barbosa)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

MENSAGEM DE FIM DE ANO

Uma colega me ofereceu "de presente" este lindo texto do nosso grande Drummond e eu o quero oferecer a todos que encaram a vida como uma grande dádiva de Deus e como um constante aprendizado.

AMIGOS

"O grande barato da vida é olhar para trás e sentir orgulho da sua história. O grande lance é viver cada momento como se a receita de felicidade fosse o AQUI e o AGORA.

Claro que a vida prega peças. É lógico que, por vezes, o pneu fura, chove demais..., mas, pensa só: tem graça viver sem rir de gargalhar pelo menos uma vez ao dia? Tem sentido ficar chateado durante o dia todo por causa de uma discussão na ida pro trabalho?
Quero viver bem! Este ano que passou foi um ano cheio. Foi cheio de coisas boas e realizações, mas também cheio de problemas e desilusões. Normal. As vezes a gente espera demais das pessoas. Normal. A grana que não veio, o amigo que decepcionou, o amor que acabou. Normal.

O ano que vai entrar vai ser diferente. Muda o ano, mas o homem é cheio de imperfeições, a natureza tem sua personalidade que nem sempre é a que a gente deseja, mas e aí? Fazer o quê? Acabar com o seu dia? Com seu bom humor? Com sua esperança?
O que desejo para todos é sabedoria! E que todos saibamos transformar tudo em boa experiência! Que todos consigamos perdoar o desconhecido, o mal educado. Ele passou na sua vida. Não pode ser responsável por um dia ruim... Entender o amigo que não merece nossa melhor parte. Se ele decepcionou, passe-o para a categoria 3. Ou mude-o de classe, transforme-o em colega. Além do mais, a gente, provavelmente, também já decepcionou alguém.
O nosso desejo não se realizou? Beleza, não estava na hora, não deveria ser a melhor coisa pra esse momento (me lembro sempre de um lance que eu adoro): CUIDADO COM SEUS DESEJOS, ELES PODEM SE TORNAR REALIDADE.

Chorar de dor, de solidão, de tristeza, faz parte do ser humano. Não adianta lutar contra isso. Mas se a gente se entende e permite olhar o outro e o mundo com generosidade, as coisas ficam bem diferentes. Desejo para todo mundo esse olhar especial.

O ano que vai entrar pode ser um ano especial, muito legal, se entendermos nossas fragilidades e egoísmos e dermos a volta nisso. Somos fracos, mas podemos melhorar. Somos egoístas, mas podemos entender o outro. O ano que vai entrar pode ser o bicho, o máximo,
maravilhoso, lindo, espetacular... ou... Pode ser puro orgulho!
Depende de mim, de você! Pode ser. E que seja!!! Feliz olhar novo!!! Que o ano que se inicia seja do tamanho que você fizer.

Que a virada do ano não seja somente uma data, mas um momento para repensarmos tudo o que fizemos e que desejamos, afinal sonhos e desejos podem se tornar realidade somente se fizermos jus e acreditarmos neles!”.

Autor: Carlos Drummond de Andrade.

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

VÃO-SE OS TIRANOS, FICAM OS ÓRFÃOS

Os jornais noticiam hoje a morte do Ditador Norte-Coreano Kim Jong-il, que estava no poder desde 1994 quando sucedeu ao seu pai. Morreu em um trem, aos 69 anos, enquanto visitava uma área próxima da capital, Pyongyang. Era um ditador nos moldes comunistas, daqueles que se mantém no poder por anos graças à força das armas e das ideias. Promovem o culto da própria imagem e fazem o povo acreditar que são verdadeiros “eleitos”. Fazia o povo lhe render homenagens espontâneas ou forçadas. Eram comuns os desfiles militares cheios de pompa.
O povo norte-coreano vive há anos na mais absoluta miséria, desde que o bloco comunista ruiu e com ele as ideias falidas de um mundo “igualitário”. Entretanto, foi chocante ver as pessoas nas ruas da capital e de outras cidades chorando copiosamente a morte de seu “líder”. Um choro sincero e saudoso, como se tivessem perdido aquele que era o sustentáculo de uma nação, porque era assim que ele se apresentava. Para o povo, era um guerreiro que lutava contra o imperialismo capitalista.Para mim, uma enorme contradição num momento em que outros povos derrubam e comemoram a queda de tiranos no Oriente Médio, na chamada Primavera Árabe, e que vejo outras nações começando a contestar o poder absoluto de seus governantes.Na Coréia, nada vai mudar, pelo menos por enquanto, uma vez que o poder será ocupado pelo sucessor imediato de Kim Jong-il, seu filho mais novo, Kim Jong-um, que não parece ser muito diferente do pai. Melhor seria que o povo de lá aproveitasse a oportunidade para expurgar de vez essa praga que são os ditadores.Uma pena que por aqui, algumas ditaduras não caiam nem pela força das ideias, nem pela força do povo e permaneçam no poder há décadas, sem que ninguém os incomode. Refiro-me, principalmente, ao Senador Sarney, donatário do Maranhão e do Amapá, que maltrata o povo brasileiro há tanto tempo e que parece não sentir nem mesmo uma dor na unha. Aqui, sei que com exceção de alguns poucos baba-ovos, ninguém vai chorar a sua morte, ao contrário, vai haver quem queime dúzias e dúzias de fogos.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

O MARANHÃO DAS RAIMUNDAS

Na mesma semana em que o país inteiro se emocionou com a história da menina maranhense Raimunda, de Pinheiro-MA. no Programa do Gugu, da TV Record, no quadro Sonhar mais um sonho, o Estado do Maranhão foi surpreendido por mais um escândalo político, envolvendo o deputado da base governista de Roseana Sarney, Stênio Rezende, naquele que já ficou conhecido como o Escândalo do Babaçu. o episódio passaria despercebido como tantos outros, não fosse a coincidência envolvendo este vegetal tão comum no nosso Estado e que é fonte de sobrevivência para muitas famílias.
Raimunda é uma menina de 11 anos, muito pobre, que mora na zona rural de Pinheiro, com a mãe e mais 7 irmãos, numa casinha de taipa coberta de palha em condições miseráveis, dividindo a casa com porcos e galinhas e que sobrevive, como muitas outras famíias por aqui, graças à coleta e quebra do coco babaçu, vegetal típico da paisagem maranhese. Ela escreveu uma carta para o quadro do programa contando a sua situação, pedindo ao Gugu que a ajudasse a dar uma casa para a sua mãe, que já não tinha mais condições de trabalhar. Ela salientou que já havia aparecido na televisão em um outro programa da emissora, o Câmera Record, quando também chamou a atenção do Brasil, por sobreviver com a família da quebra do coco babaçu.
Este apelo fez com que a produção do programa se comovesse e resolvesse atender ao desejo da menina, que foi surpreendida em sua casa pelo próprio próprio Gugu. Desde o início, a menina chama a atenção de todos por ser muito inteligente, por ser muito pobre e por gostar de cantar. Este é um daqueles quadros da televisão cujo objetivo é emocionar o telespectador, ao mesmo tempo em que pratica o merchandising solidário, em que as empresas fazem doações em troca da propaganda direta.
O programa entatiza vários aspectos do município de Pinheiro, como a localização, as belezas naturais, mas principalmente o estado de miséria em que vive boa parte da população. Só esqueceram de dizer que o município é a cidade natal do Senador vitalício José Sarney, que enquanto Deputado, Governador, Senador, Presidente, nunca lembrou daquele povo que continua vivendo como a maioria do povo maranhense, na miséria.
Gugu o tempo inteiro se mostra surpreso. Com o tipo de moradia (pau a pique), com a falta de saneamento básico, com a falta de higiene do local, com a falta de alimentos, com a falta de assistência, com o tipo de vida que os maranhenses vivem. Nada novo para nós, mas entristecedora a forma como a situação foi desnudada em pleno horário nobre.
Raimunda ganhou uma casa no centro de Pinheiro com conforto jamais imaginado por nenhum membro de sua família miserável. Realizou um sonho. Daqui pra frente é com ela. Que seja muito feliz e consiga um futuro diferente das outras Raimundas maranheses.
Ao mesmo tempo, a imprensa castrada do Maranhão tratou de abafar o escândalo das propinas na Assembléia Legislativa do Maranhão, por envolver "gente grossa" tanto dentro do legislativo quanto no executivo e na família donatária do Maranhão. Uma vergonha, porém fato comum num Estado em que prevalece a vontade de políticos, empreiteiros, empresários com interesses dentro do governo, lobistas. O pior é que nas próximas eleições veremos as mesmas caras fazendo promessas, posando de bonzinhos e honestos. O povo certamente continuará confundindo urna com penico.

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Vargem Grande, o retrato do Maranhão

Semana passada o país ficou estarrecido com a exibição de uma reportagem no Jornal Nacional sobre a cidade de Vargem Grande, no Maranhão. Confesso que esperei com grande expectativa, apesar de já ter uma idéia geral do que seria apresentado.
Durante a exibição, tive sentimentos mistos de raiva, de tristeza, de indignação e de revolta. Cheguei a chorar de raiva. Raiva do povo maranhense, raiva dos governantes, de modo geral, mas principalmente uma enorme raiva dos atuais governantes, que na verdade estão no poder há décadas e que são os grandes responsáveis por esse estado de pobreza extrema em que vive o nosso povo.
Quem vê de fora, talvez conteste o porquê de essas pessoas se manterem há tempo no poder se quem os elege é o povo. Somos considerados lá fora burros, acomodados. Somos discriminados, mal vistos. As pessoas nos olham com desprezo, como se fôssemos a escória da escória, já que o nordestino em geral já é visto com reservas. É difícil explicar as razões que mantém há tanto tempo uma família tão famigerada no poder às custas do suor de um povo tão sofrido.
É complexo e difícil explicar e entender a nossa leniência, a nossa acomodação o nosso estado de pobreza, de falta de liberdade, de desinformação, mas é facil encontrar um culpado. Somos assim e vivemos assim por culpa de um único homem que é o grande responsável pelo atual estado de coisas em que se encontra não só o estado, mas o país: Sarney. Sim, é este homem o grande culpado. Ele, que tendo sido Presidente deveria ter lutado para transformar o seu Estado de origem numa grande potência, foi o responsável pelo agravamento da pobreza. Ele, que é lembrado por onde quer se ande por aqui, que está nas rodovias, nas ruas, nos logradouros, nos prédios públicos, nas praças. Ele que comanda um grande império de comunicações, que manimula as informações, que distorce os fatos, que diviniza os aliados e sataniza os adversários. Ele, que corrompe os aliados e persegue ferozmente os adversários. Ele, que tranformou a filha em herdeira política e que vem "governando" o Estado como se fosse uma senzala.


Este homem que posa de escritor nas horas vagas e tranformou o Senado Federal na sua Casa Grande, que nomeia parentes sem concursos para os cargos estratégicos, que usa a estrutura pública para interesses pessoais, que se alia a banqueiros corruptos, que trama atos secretos, que articula ascensão e queda quando lhe convém.
Porém, nós também temos a nossa parcela de culpa, por aceitarmos passivamente esta situação, por permitirmos que os governantes façam o que querem, por acharmos que nada muda, por não acreditarmos na nossa força, por não nos indignarmos. Nós, educadores, que às vezes empunhamos a bandeira dos governantes, por conveniência e esquecemos que somos formadores de opinião, que temos o poder da palavra, que podemos influenciar as novas gerações, que temos o dever de mostrar aos jovens o poder da rebeldia.
Vargem Grande não é exceção, é regra no Maranhão, infelizmente. A grande maioria dos municípios padece dos mesmos e graves problemas de miséria, de falta de trabalho e perspectiva para os jovens, de falta de saneamento básico, de saúde e educação. Os municípios, na sua maioria estão entregues às oligarquias locais, apadrinhadas pelos Sarneys, que cobram caro os favores e a proteção e prolongam o sofrimento do povo.
Como costuma dizer César Bello, o Maranhão só terá jeito quando pendurarmos o último Sarney nas tripas do último Murad.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O PMDB maquiado

Hoje quebrei uma regra destas que a gente costuma estabelecer para nós mesmos: assisti a um desses programas políticos na televisão. Há muito tempo tenho me recusado a assisti-los pela simples razão de que acho que todos são iguais, para não dar crédito aos políticos e para não me aborrecer. Neles, o discurso é sempre o mesmo, as promessas e mentiras se repetem. Coincidentemente, estava com a televisão ligada na hora do jantar quando começou o espetáculos, digo, o programa. Era do PMDB, este partido, quase tão antigo quanto o Brasil. Digo antigo porque apesar de ter mudado a sigla ao longo do tempo, é apenas uma continuidade de outros que se mantém no poder ou ao lado dele desde que a República existe.
Fiquei estarrecido por dois motivos: primeiro por causa do apresentador, o ator Milton Gonçalves, figura que sempre me transmitiu muita credibilidade, pelo seu talento artístico e história de vida; depois pela imagem que foi apresentada do partido em si, "um partido comprometido com a democracia, com o bem-estar do povo brasileiro, com honestidade". Duas coisas completamente antagônicas.
Primeiro, uma figura como Milton Gonçalves, expondo-se dessa forma para apresentar uma imagem completamente falsa de um partido político é no mínimo degradante. Depois, o partido apresentado representa o que há de pior na política brasileira hoje e sempre. O PMDB é hoje a imagem da corrupção, das falcatruas, do engodo, da roubalheira. Basta ver as figuras que foram apresentadas, Sarney, Renan Calheiros, Roseana Sarney, só para citar alguns. Aliás, Sarney se sobressai por ser o grande mandatário do partido e do Senado brasileiro.
Milton perguntou a ele se depois de tanto tempo na política, havia ficado alguma mágoa, ao que ele respondeu que um homem público não pode ter mágoas de ninguém. Justo ele, que não perdoa aos seus adversários e os persegue como o rolo compressor da máquina do poder que ele possui.
Roseana Sarney posou de defensora e representante das mulheres num país machista e pouco representativo do universo feminino. Também se declarou uma guerreira em defesa dos interesses do povo maranhense. Parece piada, ela que te m tratado o povo maranhense como cachorro, que tem maltratado o funcionalismo público estadual com arrocho salarial, com perdas de direitos adquiridos, com perseguição a quem lhe desagrada. Eu queria que alguém me apresentasse alguma política do seu governo volta da para as mulheres.
Renan, aquele mesmo, Senador dos conchavos, dos esquemas, das amantes, das Alagoas..., que já deveria ter sido condenado ao ostracismo há muito tempo, posando de defensor da democracia. Quanta hipocrisia!
Fora outros que nem vale a pena citar. Enfim, o programa político do PMDB foi uma grande mentira, uma piada mal contada que não vale a pena repetir. Alguns fizeram menção a Brizola, o caudilho gaúcho, ex-governador do Rio de Janeiro, que não era muito diferente dos demais políticos, mas que costumava defender com veemência as suas idéias. Mas o que esperar de um partido que tem se mantido sempre ao lado do poder desde que o Brasil é Brasil.
Enfim, eu não deveria mesmo ter assistido a esse programa mentiroso para não ter que ver a cara de pau dos nomes que citei, mas tenho a mania brasileira de acreditar que esse país ainda pode ser diferente. O que me deixa realmente triste é que um homem como Milton Gonçalves, com o currículo que tem, com o talento que tem, tenha feito o pior papel de sua vida em rede nacional.

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

RESULTADO DO ENEM 2010 - MAIS DO MESMO

O Mec divulgou hoje o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio realizado em 2010. Nenhuma surpresa, as escolas particulares continuam obtendo melhores resultados que as públicas que ficam bem abaixo e não conseguem evoluir ano após ano. A distância entre elas está aumentando cada vez mais, apesar dos "investimentos" que o Governo diz estar fazendo.
O Maranhão continua firme na sua posição de último colocado e nenhum outro estado consegue superá-lo. Das 100 piores escolas do Brasil, 11 estão no nosso Estado (Eita!). E não adianta tentar, pois em matéria de ruindade nós somos campeões. O Governo tem se esforçado bastante para nos manter nesta posição.
Entre as 100 melhores, surpresa 2 são do Maranhão. Escolas particulares, localizadas no abastado bairro Renascença, em São Luís, onde estudam os filhos da elite ludovicense. Era de se esperar resultados melhores pelo preço que cobram, que estão entre os maiores do país.
A média nacional foi de 537 pontos. Fomos um dos três estados que ficaram abaixo da média com 512 pontos. Estamos ao lado de Tocantins e atrás do Piauí. O consolo será dizer que empatamos em último.
Vergonha! Esse é o sentimento dos educadores maranhenses, principalmente aqueles que atuam na rede pública. Mas já antecipo que a culpa não pode e não deve ser atribuída aos educadores, num Estado em que não se respeita os professores e em que o Governo se recusa a aplicar a Lei do Piso, onde os gestores ficam abandonados a própria sorte, onde os investimentos são cada vez menores, onde faltam nas escolas instrumentos básicos como giz, apagador, carteiras para os alunos sentarem.
Aqui, professores de Biologia, Física, Matemática..., são contratados quando o ano letivo já está no final porque a Secretaria de Educação não tem cotas, alegação feita pelos Gestores Regionais de Educação. Aqui, ninguém se preocupa com o cumprimento dos 200 dias letivos, muito menos com a carga horária. Não tem cotas e não tem planejamento, essa é a grande questão. Não tem gente competente também. A Secretaria de Educação é um amontoado de gente da terceira idade, acomodada por apadrinhamento em cargos para os quais não tem nenhum preparo. Quem visita aquela repartição por dever de ofício sabe que lá nada funciona, ninguém tem respostas, ninguém tem solução. O cargo de Secretário, via de regra, tem sido ocupado por pessoas sem vivência, sem formação adequada, obedecendo a critérios políticos e fazendo merda.
Então, diante de tudo isso, esperar um resultado diferente é no mínimo ilusão. Estamos onde deveríamos estar. Fazemos pouco porque o Estado faz pouco, paga pouco e não cria as condições necessárias para mudar a realidade em que vivemos. Pergunto então: e a prometida Revolução na Educação que tanto ouvimos no horário eleitoral? Não seria esse o melhor (dos quatro) Governo da vida da Governadora?
Os resultados de cada escola estão disponíveis para consulta no site do Inep.

terça-feira, 6 de setembro de 2011

VITORINO FREIRE, UMA CIDADE SUI GENERIS 1

Aqui tem vereador que nunca fez um discurso, aliás, um não, dois. Onde mais isto é possível? Pois bem, hoje falarei deste assunto que me inquieta e ao mesmo tempo me indigna. É verdade sim, a Câmara de Vereadores de Vitorino Freire possui duas destas figuras decorativas que existem em muitas das cidades brasileiras, sejam elas pequenas ou grandes. Em todo lugar por esse Brasil afora existem estes políticos que não fedem nem cheiram e que se servem do cargo apenas para satisfazer seus anseios pessoais, eleitos pelo voto do povo em circunstâncias bem especiais, normalmente explorando-lhes a ignorância e a necessidade.
A Câmara de Vereadores, que deveria ser um espaço de debates acalorados dos problemas e necessidades locais, de discussão de projetos e leis que beneficiem a população do município, acaba se tornando um espaço onde as nulidades predominam. Aliás, nulidade é o que não falta por aqui, ocupando cargos importantes no serviço público que deveriam ser ocupados por pessoas com reconhecida capacidade.
O primeiro e mais peculiar caso é o do vereador Abraão, aliás Abraão Filho. Este rapaz, tranquilo, de aspecto sempre sereno, conseguiu a proeza de se eleger sem nunca ter feito um único discurso, atrelado na figura do pai, que já fora vereador. Abraão pai, diferentemente, adora um microfone. Quando o pega, exalta-se, fala alto, com aquele tom característico dos políticos que se impõem mais pelo discurso que pelas ações. Em todas as ocasiões em que o filho precisou discursar ele estava lá assumindo o papel. Tive a oportunidade de assistir a vários comícios sempre na expectativa de ver e ouvir o rapaz que sempre me decepcionava. Os prognósticos de mesa de bar diziam que o rapaz seria um dos mais votados. Eu duvidava. Elegeu-se, diplomou-se, tomou posse, assumiu a cadeira e até agora ninguém ouviu sua voz. O mandato já está chegando ao fim.
O segundo caso é o da vereadora conhecida como Loura, aliás, loura do Cirineu, seu marido que também já fora vereador e que sempre se apresenta a cada eleição como candidato a prefeito, sem nunca consumar o fato, até porque lhe faltam vários dos atributos para isso, principalmente os votos necessários, suficientes apenas para elegê-lo vereador ou para transferir votos para outro. Ela, se se algum dia discursou em palanque ninguém ouviu. Seu marido sim, em alto e estridente tom, esculhabando os adversários e fazendo promessas estapafúrdias que seriam cumpridas por ela. A loura só assentia. Elegeu-se com bastante votos, muito mais do que deveria.
Da mesma forma elegeu-se, diplomou-se, tomou posse, assumiu a cadeira e até agora ninguém ouviu sua voz, nem apresentou projeto algum que pudesse dar credibilidade ao que ela, digo, ele prometeu.
Fui várias vezes à Câmara assistir às sessões ansioso por ouvir os debates de projetos importantes para o município, mas sempre apresentados por outros vereadores, que se destacam e que assumem a direção dos trabalhos alguns com desenvoltura, outros com uma certa timidez, mas sempre exaltados, defendendo com firmeza as suas idéias. Os dois supra citados estavam lá, porém entravam mudos e saíam calados.
Tudo isso nos leva a questionar a forma como o eleitor tem escolhido os seus representantes. Infelizmente, percebe-se que o que tem determinado a escolha não é a força das ideias, mas a força do investimento financeiro que se faz numa campanha. Sim porque estes dois se elegeram não porque apresentassem bons projetos para o município, mas porque investiram grandes somas de dinheiro numa eleição que certamente lhes trouxe ganhos muito maiores. Se o muncípio foi beneficiado pela eleição destas duas figuras, é difícil dizer. Entretanto, devemos questionar seriamente essa situação, a começar pela falta de formação destas pessoas que são as responsáveis pela elaboração das leis. Eles são os legisladores locais, os responsáveis por todos os projetos que dizem respeito à melhoria das condições de vida da comunidade local. Não é possível que se permita que o destino do povo fique nas mãos de pessoas sem nenhum preparo, com pouca ou nenhuma formação. Já passou da hora de se rever esta possibilidade que a legislação eleitoral e mesmo a Constituição brasileira permitem e que tornam a vida de tantos cada vez mais ruim.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

SOBRE HEROIS OU A FALTA DELES


Tenho visto com muita preocupação o fascínio que algumas figuras causam na juventude da minha cidade, Vitorino Freire. Refiro-me a figuras que deveriam ser rejeitadas, pelas quais a juventude deveria ter aversão e que, ao contrário, são admiradas, tratadas como se fossem heróis em nossa cidade. São políticos corruptos, assassinos, ladrões, traficantes de drogas, clonadores de cartões e outras variedades. Há algum tempo, um desses bandidos foi morto, não me lembro bem em que circunstância e seu corpo foi recebido na cidade com passeata e uma faixa em que se lia "..., vc foi o nosso heroi". O cortejo seguiu com choros e lamentos pela "perda".
Um outro bandido, Antonio José, causou terror na cidade durante um bom tempo, após assassinatos cometidos desde a infância, fugas sucessivas da prisão e desafio à polícia local. Era visto pelas adolescentes como um daqueles transgressores do cinema que acabam colecionando admiradores. Havia relatos de que no esconderijo ele tinha sempre várias mulheres ao seu dispor. Já havia formado um pequeno bando de seguidores. Tudo isso durou até o dia em foi assassinado brutalmente por mototaxistas após roubar uma moto. Triste fim para uma jovem "estrela do crime" local. Muitos lamentaram a sua morte.
Um ex-prefeito do lugar, implicado na CPI do roubo de cargas, um verdadeiro circo que se instalou no Maranhão no final da década de 1990, provocou comoção e romaria a prisão em que fora detido em São Luís. Recebia diariamente dezenas de correligionários puxa-sacos, que lhe levavam comida, notícias, presentes, "solidariedade". No final das contas ele foi absolvido, recebido com festas e reeleito para mais quatro anos. Foram os piores da história recente da cidade. No final do seu mandato, a situação era tão grave que os prédios públicos, incluindo a Prefeitura, ficaram todos sem eletricidade por falta de pagamento. Os cofres públicos foram esvaziados e os funcionários ficaram sem receber vários meses de salário. Seu histórico de crimes contra a vida e contra o patrimônio é vasto e conhecido por toda a população. Apesar disso, há na cidade quem o defenda com unhas e dentes e, inclusive, chama pra briga, quem ousa expressar qualquer opinião contrária.
Lembro-me bem de uma conversa que tive com um dos meus alunos após a prisão de um traficante de cocaína em São Luís, uma dessas figurinhas tarimbadas do lugar que aliciam a juventude. O rapaz lamentava a prisão dizendo que o sujeito podia ser traficante, mas era gente boa e não vendia o "produto" na cidade. Fiquei possesso da vida na hora e argumentei com ele que esse era justamente o pensamento que não se devia cultivar, que ele era responsável pela destruição da harmonia de muitas famílias, por viciar jovens sem perspectivas e lhes dar falsas esperanças. Gastei saliva a toa.
É possível ver nas ruas clonadores de cartões, que usam e abusam da indolência das autoridades e desfilam em carrões importados, esnobando quem trabalha honestamente e esbanjando o dinheiro conquistado graças à conivência dos bancos e da polícia. Não lhes faltam mulheres e admiradores.
Por tudo isso, às vezes perco a esperança de que a juventude seja, como disse João Paulo II, o futuro do país. Se essa juventude que deveria cultivar valores como honestidade, respeito ao próximo e às leis é diariamente seduzida pela ideia de que pode levar sempre vantagem, de que o crime compensa, de que quem tem dinheiro não vai pra cadeia. Como é que se pode esperar uma mudança no país se diariamente vemos na mídia Roriz, Sarney, Collor, Cacciola, Dirceu, Murad, e outros sobrenomes ilustres se safando com o aval da Justiça?

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

MEU FILHO, VOCÊ NÃO MERECE NADA!

Tomei a liberdade de reproduzir aqui este texto da Revista Época, por considerá-lo importante demais pra ficar perdido entre as páginas da revista.
"Texto instigante e reflexivo, para pais e filhos.

Sugiro que dediquem alguns minutos do seu tempo para lerem, principalmente os jovens."

   Divulgação
ELIANE BRUM
Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum
Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.
Há uma geração de classe média que estudou em bons colégios, é fluente em outras línguas, viajou para o exterior e teve acesso à cultura e à tecnologia. Uma geração que teve muito mais do que seus pais. Ao mesmo tempo, cresceu com a ilusão de que a vida é fácil. Ou que já nascem prontos – bastaria apenas que o mundo reconhecesse a sua genialidade.
Tenho me deparado com jovens que esperam ter no mercado de trabalho uma continuação de suas casas – onde o chefe seria um pai ou uma mãe complacente, que tudo concede. Foram ensinados a pensar que merecem, seja lá o que for que queiram. E quando isso não acontece – porque obviamente não acontece – sentem-se traídos, revoltam-se com a “injustiça” e boa parte se emburra e desiste.
Como esses estreantes na vida adulta foram crianças e adolescentes que ganharam tudo, sem ter de lutar por quase nada de relevante, desconhecem que a vida é construção – e para conquistar um espaço no mundo é preciso ralar muito. Com ética e honestidade – e não a cotoveladas ou aos gritos. Como seus pais não conseguiram dizer, é o mundo que anuncia a eles uma nova não lá muito animadora: viver é para os insistentes.
Por que boa parte dessa nova geração é assim? Penso que este é um questionamento importante para quem está educando uma criança ou um adolescente hoje. Nossa época tem sido marcada pela ilusão de que a felicidade é uma espécie de direito. E tenho testemunhado a angústia de muitos pais para garantir que os filhos sejam “felizes”. Pais que fazem malabarismos para dar tudo aos filhos e protegê-los de todos os perrengues – sem esperar nenhuma responsabilização nem reciprocidade.
É como se os filhos nascessem e imediatamente os pais já se tornassem devedores. Para estes, frustrar os filhos é sinônimo de fracasso pessoal. Mas é possível uma vida sem frustrações? Não é importante que os filhos compreendam como parte do processo educativo duas premissas básicas do viver, a frustração e o esforço? Ou a falta e a busca, duas faces de um mesmo movimento? Existe alguém que viva sem se confrontar dia após dia com os limites tanto de sua condição humana como de suas capacidades individuais?
Nossa classe média parece desprezar o esforço. Prefere a genialidade. O valor está no dom, naquilo que já nasce pronto. Dizer que “fulano é esforçado” é quase uma ofensa. Ter de dar duro para conquistar algo parece já vir assinalado com o carimbo de perdedor. Bacana é o cara que não estudou, passou a noite na balada e foi aprovado no vestibular de Medicina. Este atesta a excelência dos genes de seus pais. Esforçar-se é, no máximo, coisa para os filhos da classe C, que ainda precisam assegurar seu lugar no país.
Da mesma forma que supostamente seria possível construir um lugar sem esforço, existe a crença não menos fantasiosa de que é possível viver sem sofrer. De que as dores inerentes a toda vida são uma anomalia e, como percebo em muitos jovens, uma espécie de traição ao futuro que deveria estar garantido. Pais e filhos têm pagado caro pela crença de que a felicidade é um direito. E a frustração um fracasso. Talvez aí esteja uma pista para compreender a geração do “eu mereço”.
Basta andar por esse mundo para testemunhar o rosto de espanto e de mágoa de jovens ao descobrir que a vida não é como os pais tinham lhes prometido. Expressão que logo muda para o emburramento. E o pior é que sofrem terrivelmente. Porque possuem muitas habilidades e ferramentas, mas não têm o menor preparo para lidar com a dor e as decepções. Nem imaginam que viver é também ter de aceitar limitações – e que ninguém, por mais brilhante que seja, consegue tudo o que quer.
A questão, como poderia formular o filósofo Garrincha, é: “Estes pais e estes filhos combinaram com a vida que seria fácil”? É no passar dos dias que a conta não fecha e o projeto construído sobre fumaça desaparece deixando nenhum chão. Ninguém descobre que viver é complicado quando cresce ou deveria crescer – este momento é apenas quando a condição humana, frágil e falha, começa a se explicitar no confronto com os muros da realidade. Desde sempre sofremos. E mais vamos sofrer se não temos espaço nem mesmo para falar da tristeza e da confusão.
Me parece que é isso que tem acontecido em muitas famílias por aí: se a felicidade é um imperativo, o item principal do pacote completo que os pais supostamente teriam de garantir aos filhos para serem considerados bem sucedidos, como falar de dor, de medo e da sensação de se sentir desencaixado? Não há espaço para nada que seja da vida, que pertença aos espasmos de crescer duvidando de seu lugar no mundo, porque isso seria um reconhecimento da falência do projeto familiar construído sobre a ilusão da felicidade e da completude.
Quando o que não pode ser dito vira sintoma – já que ninguém está disposto a escutar, porque escutar significaria rever escolhas e reconhecer equívocos – o mais fácil é calar. E não por acaso se cala com medicamentos e cada vez mais cedo o desconforto de crianças que não se comportam segundo o manual. Assim, a família pode tocar o cotidiano sem que ninguém precise olhar de verdade para ninguém dentro de casa.
Se os filhos têm o direito de ser felizes simplesmente porque existem – e aos pais caberia garantir esse direito – que tipo de relação pais e filhos podem ter? Como seria possível estabelecer um vínculo genuíno se o sofrimento, o medo e as dúvidas estão previamente fora dele? Se a relação está construída sobre uma ilusão, só é possível fingir.
Aos filhos cabe fingir felicidade – e, como não conseguem, passam a exigir cada vez mais de tudo, especialmente coisas materiais, já que estas são as mais fáceis de alcançar – e aos pais cabe fingir ter a possibilidade de garantir a felicidade, o que sabem intimamente que é uma mentira porque a sentem na própria pele dia após dia. É pelos objetos de consumo que a novela familiar tem se desenrolado, onde os pais fazem de conta que dão o que ninguém pode dar, e os filhos simulam receber o que só eles podem buscar. E por isso logo é preciso criar uma nova demanda para manter o jogo funcionando.
O resultado disso é pais e filhos angustiados, que vão conviver uma vida inteira, mas se desconhecem. E, portanto, estão perdendo uma grande chance. Todos sofrem muito nesse teatro de desencontros anunciados. E mais sofrem porque precisam fingir que existe uma vida em que se pode tudo. E acreditar que se pode tudo é o atalho mais rápido para alcançar não a frustração que move, mas aquela que paralisa.
Quando converso com esses jovens no parapeito da vida adulta, com suas imensas possibilidades e riscos tão grandiosos quanto, percebo que precisam muito de realidade. Com tudo o que a realidade é. Sim, assumir a narrativa da própria vida é para quem tem coragem. Não é complicado porque você vai ter competidores com habilidades iguais ou superiores a sua, mas porque se tornar aquilo que se é, buscar a própria voz, é escolher um percurso pontilhado de desvios e sem nenhuma certeza de chegada. É viver com dúvidas e ter de responder pelas próprias escolhas. Mas é nesse movimento que a gente vira gente grande.
Seria muito bacana que os pais de hoje entendessem que tão importante quanto uma boa escola ou um curso de línguas ou um Ipad é dizer de vez em quando: “Te vira, meu filho. Você sempre poderá contar comigo, mas essa briga é tua”. Assim como sentar para jantar e falar da vida como ela é: “Olha, meu dia foi difícil” ou “Estou com dúvidas, estou com medo, estou confuso” ou “Não sei o que fazer, mas estou tentando descobrir”. Porque fingir que está tudo bem e que tudo pode significa dizer ao seu filho que você não confia nele nem o respeita, já que o trata como um imbecil, incapaz de compreender a matéria da existência. É tão ruim quanto ligar a TV em volume alto o suficiente para que nada que ameace o frágil equilíbrio doméstico possa ser dito.
Agora, se os pais mentiram que a felicidade é um direito e seu filho merece tudo simplesmente por existir, paciência. De nada vai adiantar choramingar ou emburrar ao descobrir que vai ter de conquistar seu espaço no mundo sem nenhuma garantia. O melhor a fazer é ter a coragem de escolher. Seja a escolha de lutar pelo seu desejo – ou para descobri-lo –, seja a de abrir mão dele. E não culpar ninguém porque eventualmente não deu certo, porque com certeza vai dar errado muitas vezes. Ou transferir para o outro a responsabilidade pela sua desistência.
Crescer é compreender que o fato de a vida ser falta não a torna menor. Sim, a vida é insuficiente. Mas é o que temos. E é melhor não perder tempo se sentindo injustiçado porque um dia ela acaba.

ÓCIO CRIADOR

Depois de muito tempo resolvi retornar a este blog para fazer algumas reflexões. Estava há algum tempo (na verdade meses) sem visitá-lo, por falta de tempo, disposição, assunto, mas principalmente por conta de enorme preguiça intelectual que me aflige de tempos em tempos (creio não ser o único a sofrer deste mal). Na verdade, a minha rotina estava muito cansativa, de modo que o tempo passava muito rápido e não conseguia produzir quase nada. Foram tempos difíceis em que enfrentei muitos problemas no trabalho e na vida pessoal e que trouxeram como consequência uma certa indisposição para esta atividade que sempre foi um dos meus prazeres.Percebi que vou precisar me atualizar, por conta da reforma ortográfica, da qual tenho fugido por acomodação mesmo. Mas já providenciei um manual, destes que se adquire em qualquer banca de revista e que espero "consumir" em pouco tempo. Agora que estou "curtindo" férias forçadas, pretendo mergulhar por inteiro na saudável tarefa de registrar diariamente as minhas impressões sobre o mundo ao meu redor.

sexta-feira, 29 de abril de 2011

OS JUMENTOS, ESSAS INFELIZES CRIATURAS

Por dever de ofício, tive que ir à Bacabal ontem. Saí bem cedo, pela manhã, numa viagem que atualmente tenho evitado, principalmente em função da buraqueira no trecho entre Vitorino Freire e Zé Chição.
Esse percurso de cerca de 29 quilômetros, que em condições normais poderia ser feito em no máximo meia hora, atualmente toma pelo menos 45 minutos da paciência e destreza ao volante de qualquer motorista. Há techos quase tão lentos, que os animais espalhados pelo percurso costumam ser mais rápidos que os carros.
Aliás, animais na pista é uma imagem recorrente, formando uma paisagem bastante bucólica. Cachorros, carcarás, cobras, vê-se de tudo. Porém, veem-se principalmente urubus, esse bicho amigo da natureza que cumpre uma importante função, caso algum desavisado não saiba. No caso específico, este carniceiro é o responsável direto por acelerar o processo de putrefação dos animais que morrem na pista e que fazem com que tenhamos que tapar muitas vezes o nariz ou engolir muita saliva. As estacas das intermináveis cercas que separam as rodovias dos enormes latifúndios do caminho ficam cheias deles (os maldosos dizem ser uma reunião de torcida) naquela posição estática e magestosa de rei dos abutres, esperando a hora certa de atacar a "suculenta" carniça.
E há muita carniça pelo caminho, principalmente de restos de jumentos mortos, atropelados pelos veículos e caminhões, o que revela um lado bastante preocupante.
Na viagem de ontem encontrei uma tropa desses assininos desfilando tranquilamente pela MA-008, enquanto os carros eram obrigados a reduzir a velocidade e desviar. Dezenas deles. Um perigo para os motoristas desavisados.
Aliás, esses animais, que no passado já foram importantes aqui no Nordeste, sendo usados no transporte de carga e de pessoas e que o poeta já disse em versos ser "nosso irmão", tornou-se um problema muito sério, primeiro porque hoje é completamente rejeitado, ninguém mais é capaz de pagar um único real por eles, depois porque reproduz-se rapidamente. Foram sendo substituídos rapidamente pelas motocicletas. Sem controle, tem sido descartados por prefeitos desonestos nas estradas, o que explica a tropa que encontrei.
O fato é que este animal dócil e rústico virou um problema que tem que ser encarado pelas autoridades que devem tomar providências, recolhendo estes animais e fazendo um controle de natalidade rapidamente ou eles continuarão a causar acidentes e mortes de inocentes.