"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto". (Rui Barbosa)

sexta-feira, 29 de abril de 2011

OS JUMENTOS, ESSAS INFELIZES CRIATURAS

Por dever de ofício, tive que ir à Bacabal ontem. Saí bem cedo, pela manhã, numa viagem que atualmente tenho evitado, principalmente em função da buraqueira no trecho entre Vitorino Freire e Zé Chição.
Esse percurso de cerca de 29 quilômetros, que em condições normais poderia ser feito em no máximo meia hora, atualmente toma pelo menos 45 minutos da paciência e destreza ao volante de qualquer motorista. Há techos quase tão lentos, que os animais espalhados pelo percurso costumam ser mais rápidos que os carros.
Aliás, animais na pista é uma imagem recorrente, formando uma paisagem bastante bucólica. Cachorros, carcarás, cobras, vê-se de tudo. Porém, veem-se principalmente urubus, esse bicho amigo da natureza que cumpre uma importante função, caso algum desavisado não saiba. No caso específico, este carniceiro é o responsável direto por acelerar o processo de putrefação dos animais que morrem na pista e que fazem com que tenhamos que tapar muitas vezes o nariz ou engolir muita saliva. As estacas das intermináveis cercas que separam as rodovias dos enormes latifúndios do caminho ficam cheias deles (os maldosos dizem ser uma reunião de torcida) naquela posição estática e magestosa de rei dos abutres, esperando a hora certa de atacar a "suculenta" carniça.
E há muita carniça pelo caminho, principalmente de restos de jumentos mortos, atropelados pelos veículos e caminhões, o que revela um lado bastante preocupante.
Na viagem de ontem encontrei uma tropa desses assininos desfilando tranquilamente pela MA-008, enquanto os carros eram obrigados a reduzir a velocidade e desviar. Dezenas deles. Um perigo para os motoristas desavisados.
Aliás, esses animais, que no passado já foram importantes aqui no Nordeste, sendo usados no transporte de carga e de pessoas e que o poeta já disse em versos ser "nosso irmão", tornou-se um problema muito sério, primeiro porque hoje é completamente rejeitado, ninguém mais é capaz de pagar um único real por eles, depois porque reproduz-se rapidamente. Foram sendo substituídos rapidamente pelas motocicletas. Sem controle, tem sido descartados por prefeitos desonestos nas estradas, o que explica a tropa que encontrei.
O fato é que este animal dócil e rústico virou um problema que tem que ser encarado pelas autoridades que devem tomar providências, recolhendo estes animais e fazendo um controle de natalidade rapidamente ou eles continuarão a causar acidentes e mortes de inocentes.