"De tanto ver triunfar as nulidades; de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar-se da virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha de ser honesto". (Rui Barbosa)

terça-feira, 29 de novembro de 2011

Vargem Grande, o retrato do Maranhão

Semana passada o país ficou estarrecido com a exibição de uma reportagem no Jornal Nacional sobre a cidade de Vargem Grande, no Maranhão. Confesso que esperei com grande expectativa, apesar de já ter uma idéia geral do que seria apresentado.
Durante a exibição, tive sentimentos mistos de raiva, de tristeza, de indignação e de revolta. Cheguei a chorar de raiva. Raiva do povo maranhense, raiva dos governantes, de modo geral, mas principalmente uma enorme raiva dos atuais governantes, que na verdade estão no poder há décadas e que são os grandes responsáveis por esse estado de pobreza extrema em que vive o nosso povo.
Quem vê de fora, talvez conteste o porquê de essas pessoas se manterem há tempo no poder se quem os elege é o povo. Somos considerados lá fora burros, acomodados. Somos discriminados, mal vistos. As pessoas nos olham com desprezo, como se fôssemos a escória da escória, já que o nordestino em geral já é visto com reservas. É difícil explicar as razões que mantém há tanto tempo uma família tão famigerada no poder às custas do suor de um povo tão sofrido.
É complexo e difícil explicar e entender a nossa leniência, a nossa acomodação o nosso estado de pobreza, de falta de liberdade, de desinformação, mas é facil encontrar um culpado. Somos assim e vivemos assim por culpa de um único homem que é o grande responsável pelo atual estado de coisas em que se encontra não só o estado, mas o país: Sarney. Sim, é este homem o grande culpado. Ele, que tendo sido Presidente deveria ter lutado para transformar o seu Estado de origem numa grande potência, foi o responsável pelo agravamento da pobreza. Ele, que é lembrado por onde quer se ande por aqui, que está nas rodovias, nas ruas, nos logradouros, nos prédios públicos, nas praças. Ele que comanda um grande império de comunicações, que manimula as informações, que distorce os fatos, que diviniza os aliados e sataniza os adversários. Ele, que corrompe os aliados e persegue ferozmente os adversários. Ele, que tranformou a filha em herdeira política e que vem "governando" o Estado como se fosse uma senzala.

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Este homem que posa de escritor nas horas vagas e tranformou o Senado Federal na sua Casa Grande, que nomeia parentes sem concursos para os cargos estratégicos, que usa a estrutura pública para interesses pessoais, que se alia a banqueiros corruptos, que trama atos secretos, que articula ascensão e queda quando lhe convém.
Porém, nós também temos a nossa parcela de culpa, por aceitarmos passivamente esta situação, por permitirmos que os governantes façam o que querem, por acharmos que nada muda, por não acreditarmos na nossa força, por não nos indignarmos. Nós, educadores, que às vezes empunhamos a bandeira dos governantes, por conveniência e esquecemos que somos formadores de opinião, que temos o poder da palavra, que podemos influenciar as novas gerações, que temos o dever de mostrar aos jovens o poder da rebeldia.
Vargem Grande não é exceção, é regra no Maranhão, infelizmente. A grande maioria dos municípios padece dos mesmos e graves problemas de miséria, de falta de trabalho e perspectiva para os jovens, de falta de saneamento básico, de saúde e educação. Os municípios, na sua maioria estão entregues às oligarquias locais, apadrinhadas pelos Sarneys, que cobram caro os favores e a proteção e prolongam o sofrimento do povo.
Como costuma dizer César Bello, o Maranhão só terá jeito quando pendurarmos o último Sarney nas tripas do último Murad.

Um comentário:

  1. Parece um pesadelo sem fim! E pior que um pesadelo, é saber que é tudo realidade, que estamos bem acordados, ou pelos menos deveríamos está...

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